Apesar das mudanças serem boas, o novo vestibular não muda a imaturidade dos jovens que tem que escolher uma profissão aos 17 anos
A maratona de vestibulares pode estar com os dias contados. Este ano, o Ministério da Educação (MEC) lançou o novo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que passou a ser adotado como forma de seleção pela maioria das universidades federais do país. A ideia é que, no futuro, ele funcione como uma prova única, cuja nota valerá para a peneira em todas as faculdades brasileiras. Será que é uma boa?
A revista Mundo Estranho ouviu a opinião de alguns especialistas como: Nilson Machado, prof. da Faculdade de Educação da USP e um dos criadores do Enem; Miguel Roberto Jorge, pró-reitor de graduação da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp); Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep); Ministério da Educação (MEC); União Nacional dos Estudantes (UNE); Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superior no Estado de São Paulo (Semesp).
Os prós de um vestibular único
• O acesso ao ensino superior fica mais justo e menos elitista. Ao estimular a capacidade de análise, a prova do Enem diminui o decoreba da maioria dos vestibulares tradicionais, que beneficiam quem tem dinheiro para se preparar em cursinhos especializados nesse formato robótico
• Com o Enem, fazendo só um exame, o aluno pode se candidatar a até cinco faculdades diferentes. Além de acabar com a maratona de provas, ajuda no lado financeiro. Hoje, a inscrição de um vestibular pode sair por mais de R$ 100, o que afasta os mais pobres. Segundo a Unesco, só 30% dos jovens brasileiros estão num curso superior, contra 52% no Chile e 87% na Europa
• Aplicado em mais de 1 800 cidades, o Enem facilita a vida dos milhões de vestibulandos que moram longe das grandes cidades e poderão fazer a prova mais perto de onde vivem. Como o exame é válido para várias universidades, também gera maior mobilidade e integração. Por exemplo, alguém do Piauí pode tentar uma faculdade no Paraná sem ter que cruzar o país para isso
• O vestibular tradicional, focado no decoreba, tem piorado o ensino médio no Brasil, uma vez que muitas escolas se preocupam apenas em preparar os jovens para esse tipo de prova. Com o Enem servindo de peneira, os colégios serão obrigados a ensinar seus alunos a refletir, e não só a repetir
Os contras de um vestibular único
• Mesmo diminuindo o decoreba, o Enem ainda é elitista. Afinal, quem vive em famílias e regiões mais ricas, com mais acesso à cultura, acaba sendo melhor preparado e sai favorecido num exame único para todos. E quem pode pagar uma faculdade particular segue com mais chances de entrar num curso superior, pois tem mais opções de escolha
• Um vestibular único não acaba com o problema da falta de maturidade dos jovens para escolher uma profissão aos 17 anos. Por exemplo, a escolha do curso errado e a falta de preparo para encarar a faculdade são os principais motivos pelos quais 20% dos que entram na USP abandonam os cursos
• Se facilita a vida de muitos, o exame único também pode atrapalhar a vida de todos. Não podemos nos esquecer dos problemas recorrentes de falhas de segurança nos vestibulares, com roubo de gabarito, cola etc. Nesse sentido, anular um vestibular adulterado, entre vários que existem, é uma coisa - no caso de alguma fraude no Enem, anular toda a prova nacional seria bem problemático
• O argumento de que o Enem vai melhorar o ensino médio é uma falácia. Na verdade, o governo está fugindo da responsabilidade de investir na melhoria da escola pública com uma solução mais simples e ineficaz: a mudança no acesso para o ensino superior
Texto original no seguinte site: http://educarparacrescer.abril.com.br/comportamento/enem-deve-substituirvestibular-495026.shtml
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